• Em tempos de pandemia, a primeira missão das empresas foi manter a continuidade dos negócios e a produtividade em home office.
  • A adoção de ferramentas de colaboração foi essencial para viabilizar o trabalho remoto.
  • Agora, elas estão avançando nessa jornada e buscando manter a cultura da empresa mesmo com os colaboradores e parceiros à distância.

De acordo com um estudo da Deloitte, a crise fez as organizações brasileiras terem a necessidade de se adaptar rapidamente ao home office e acelerar a jornada de transformação digital, elevando assim a maturidade da gestão. 

Gestão de Pessoas tem um nível alto de impacto com a crise do coronavírus e o trabalho remoto. Crédito: Divulgação
Gestão de Pessoas tem um nível alto de impacto com a crise do coronavírus. Crédito: Divulgação

Home office muda a cultura

Mudança no modelo de trabalho é tendência

Dos 662 entrevistados, 64% acham que a gestão de pessoas terá um grande impacto no futuro da empresa e 60% apontam para uma necessidade de mudança do modelo de trabalho e da cultura organizacional nos próximos anos. Aparentemente trabalho remoto veio para ficar.

Pesquisa da Deloitte aponta a preocupação com cultura organizacional e o trabalho remoto. Crédito: Divulgação
Pesquisa da Deloitte aponta a preocupação com cultura organizacional. Crédito: Divulgação

É bem verdade que a cultura organizacional é um importante asset de qualquer companhia. São os colaboradores e parceiros, com suas habilidades e conhecimentos, que vão dar uma vantagem competitiva, especialmente na hora de criar e gerenciar os processos de inovação. A dúvida é como manter essa chama acesa mesmo com todos trabalhando de maneira remota e obrigatória. 

O exemplo pode vir de empresas que já adotavam o trabalho remoto, como a Automattic e a GitLab, ambas companhias de tecnologias de código aberto e que têm praticamente todo o time trabalhando em home office, em diversos locais do mundo. A dona do WordPress dá ao funcionário uma verba para equipar seu escritório. Já a rede social de programadores percebeu a eficiência e a força do trabalho descentralizado desde a sua fundação. 

Mas não só empresas moderninhas viam o home office como uma solução. Gigantes como a HP também tem essa prática desde a década de 1960, oferecida para todo o time interno e com bons níveis de comprometimento. Agora, a modalidade também é uma forma de atrair talentos da geração Y. 

Home office cansou?

Humor do brasileiro mudou com o passar do tempo

Embora existam diversos casos de sucesso apontando que o trabalho remoto pode ser positivo para as organizações, ainda existem problemas. A crise sanitária por conta do coronavírus obrigou que boa parte dos funcionários brasileiros trabalhassem de casa. E um estudo da Orbit Data Science mostra essa mudança de humor em relação ao home office. 

A Orbit analisou as interações nas redes sociais de 4.798 pessoas entre janeiro e outubro de 2020. A pesquisa mostra que, no consolidado do ano, 51% das conversas nas redes consideram o home office como algo positivo, contra 39,8% de comentários negativos. A comodidade do trabalho remoto é considerada o principal ganho. Mas esse número já foi maior. Entre janeiro e fevereiro, os índices positivos eram de 71,3%, entre julho e outubro, foram de 50,6%. 

“Observamos uma crise de imagem do home office porque ele passou de ideia para realidade. Se antes era praticado por alguns profissionais apenas alguns dias por mês, passou a ser o novo padrão estabelecido. E isso traz muitas questões à tona”, afirma Caio Simi, CEO da Orbit, em entrevista ao Baguete

Pesquisa da Orbit Data Science mostra o humor do brasileiro sobre o home office. Crédito: divulgação
Pesquisa da Orbit Data Science mostra o humor do brasileiro sobre o home office. Crédito: divulgação

Um dos pontos mais observados nesta pesquisa sobre a percepção do home office é o fato que em muitas empresas, o colaborador está trabalhando mais. Outro comentário é a falta de um ambiente com ergonomia, resultando em dores no corpo. Há ainda as pessoas saudosas do trabalho presencial. Leia a íntegra da pesquisa neste link.

Senso de comunidade

Confira algumas táticas para motivar os colaboradores

Uma das maneiras de motivar os trabalhadores a se engajarem mais com suas atividades na organização e com o trabalho remoto é a criação de um senso de comunidade e de um sentimento de pertencimento. Isso pode ser feito dando mais autonomia aos colaboradores, algo que potencializa o seu talento, investe na criação de novas lideranças e conserva os valores da empresa, assim como uma cultura organizacional fortalecida, mesmo em tempos de pandemia.

Dicas para manter a cultura da organização em tempos de pandemia e trabalho remoto. Crédito: Matilda Wormwood / Pexels
Dicas para manter a cultura da organização em tempos de pandemia. Crédito: Matilda Wormwood / Pexels

A criação de um senso de comunidade pode ser feita de diversas maneiras. Pode ser um pequeno aceno, como uma liderança ligando para o colaborador perguntando como está o seu dia ou enviando um GIF na ferramenta de chat. Ou um grande gesto, como a Automattic, que oferece uma licença maternidade (ou de paternidade) remunerada por até 12 meses. O portal MSN compilou uma série de ações que ajudam a criar essa sensação de pertencimento. 

Entre as táticas usadas para motivar os colaboradores estão:

  • videochamadas com a presença de pets, 
  • trabalhar um mês em qualquer lugar dos Estados Unidos, 
  • oferecer um cinema drive-in, 
  • criar happy hours virtuais com jogos e presentes, 
  • criar uma competição entre os funcionários que dá direito a um prêmio, 
  • enviar para o funcionário uma comida e fazer um “jantar virtual”, 
  • contratar um animador infantil para contar histórias e cantar músicas para colaboradores que têm filhos pequenos. 

Estes exemplos mostram que criar um ambiente saudável de trabalho cria laços que facilitam a manter a cultura organizacional da empresa em um nível elevado. Mas é preciso que os líderes entendam seu novo papel.

Mas todo mundo tem que participar

Cultura organizacional não é feita sem a liderança

A cultura da empresa deriva da liderança. Não é possível mudar os comportamentos e valores da organização sem o comprometimento dela. As empresas que desejam mudar a cultura existente ou implementar uma nova, devem abraçar a mudança. E isso requer esforço dos executivos. 

O coronavírus está testando os líderes e que consequências da pandemia podem durar por um longo tempo. Os gestores devem adaptar-se para implementar novas práticas para reforçar valores que apoiem essa ‘comunidade interna’. Os que fizerem, vão estar mais preparados para os próximos desafios. Uma pesquisa da Mckinsey aponta para este novo perfil:

  • dar suporte e cuidar do colaborador, 
  • estar focado no time, 
  • ser criativo e intraempreendedor, 
  • empoderar e delegar tarefas, 
  • promover um ambiente aberto e de confiança, 
  • tomar decisões de maneira rápida, 
  • estar confortável com as ambiguidades do mundo VUCA 
  • ter uma visão holística dos resultados gerados pelo time. 

Neste ‘novo normal’ não é mais suficiente o líder somente ter foco em excelência operacional, buscar uma maior performance ou usar da sua autoridade para tomar decisões. Ele precisa principalmente entender as necessidades e objetivos de cada integrante da sua equipe.

Comunicar bem é saber ouvir

Trabalho remoto exige uma comunicação ativa

Ter proximidade e boa comunicação são fatores fundamentais para manter as pessoas motivadas e alinhadas. 

As organizações mais resilientes são as que mais rapidamente se adaptam, repensam estratégias, capturam oportunidades e geram sentimentos de confiança nos clientes e colaboradores. 

E a melhor definição de comunicar é saber ouvir. 

Um artigo da Forbes mostra que a cultura é mais eficaz em empresas que estão abertas para a discussão e a troca de ideias. 

“A cultura é como um iceberg cujas normas, valores e premissas estão abaixo do nível da água e são invisíveis, mas palpáveis. Quanto mais as empresas puderem colocar as coisas acima do nível da água e torná-las mais conscientes e visíveis, melhor”, escreve a socióloga Tracy Brower.

Ao ouvir as contribuições de novas ideias de seu time, a companhia mostra que sua cultura está baseada em valores como a horizontalidade, colaboração e autonomia. Ao incentivar as pessoas a se comunicarem de maneira franca, as empresas conseguem que seus colaboradores se tornem mais produtivos individualmente e em equipe.

A tecnologia pode ajudar a criar este ambiente aberto, sendo parte integrante da comunicação corporativa. Existem dezenas de softwares voltados para melhorar a colaboração como o Microsoft Teams, Slack, Trello e o SENNO

O SENNO é uma solução moderna para gerir a inovação aberta. Crédito: divulgação
O SENNO é uma solução moderna para gerir a inovação aberta. Crédito: divulgação

São ferramentas que auxiliam na organização de informações, na troca de ideias e na discussão entre os times internos e parceiros externos, permitindo manter viva a cultura organizacional no mundo virtual e facilitando a tomada de decisão.

Pandemia é uma oportunidade

O trabalho remoto fomenta uma nova cultura

As pessoas estão trabalhando em casa e talvez nunca mais voltem ao escritório como era antes. O desafio que os gestores têm agora é que os colaboradores não vão receber as mesmas orientações e treinamentos. Para muitos, faz falta o café no intervalo, as conversas com os colegas, o contato, presença física e a proximidade. 

Não é possível ainda prever quando a economia mundial vai se recuperar dessa crise e será possível voltar à normalidade. Mas existe uma percepção de que o trabalho remoto vai continuar a ser uma alternativa, mesmo que no formato híbrido: o home office se torna um padrão e os encontros no escritório serão mais esparsos. O escritório terá um novo papel, sendo um espaço de convivência e uma forma de absorver a cultura organizacional.

Um texto da Harvard Business Review aponta que empresas estrategicamente alinhadas e que construíram a capacidade de se adaptar rapidamente a ambientes dinâmicos conseguiram ter 15% a mais de receita do que seus concorrentes.

“É muito provável que sua organização já tenha se adaptado de maneira mais rápida e eficaz durante uma pandemia do que você jamais imaginou ser possível. Aproveite esse progresso comunicando a conquista aos seus funcionários e instituindo boas práticas. Isso certamente fortalecerá sua cultura – algo que ajudará a sua organização a enfrentar melhor o que está por vir”, escreve a revista.

Essa é uma das oportunidades que a pandemia traz: cultivar uma nova cultura organizacional. Ela é o seu cartão de visita, torna a sua empresa singular e atrai clientes e parceiros com visões e valores semelhantes. 

Discuta ela com seu time, crie um novo senso de comunidade, adote ferramentas de colaboração. Somente assim será possível encarar a cultura organizacional não como um desafio, mas sim como uma forma de se diferenciar no mercado.

Gostou deste texto? Confira outros materiais disponíveis no blog da SENNO sobre estratégia e gestão. Estamos sempre postando novidades sobre colaboração, gestão de ideias e inovação aberta.