Resumo:

  • O processo de inovação é baseado em iniciativas de mudanças que geram valor às pessoas. 
  • Existem três formatos de inovação mais comuns: a incremental, radical e breakthrough
  • A matriz de disrupção traz duas variáveis que ajudam na classificação da inovação: o domínio do conhecimento e do problema. 

Um dos primeiros estudiosos a pensar em inovação como motor da sociedade foi o austríaco Joseph Schumpeter. Em sua obra, ele conectou as inovações com ciclos de desenvolvimento econômico e criou o célebre conceito de destruição criativa

O fato é que ele anteviu a necessidade das empresas investirem em inovação para garantir a sobrevivência no mercado. E que de maneira cíclica, novas companhias surgem, substituindo as antigas, algo que acontece cada vez mais rápido.

Os estudos de inovação avançaram durante o século XX e XXI. Foi a partir dos anos 50, que se iniciou a teorização e classificação da atividade inovadora, que conta com diferentes características e modos de desenvolvimento. 

A matriz de disrupção traz duas variáveis que ajudam nessa classificação: o domínio do conhecimento e do problema. 

Matriz de disrupção no método SENNO
Matriz de disrupção no método SENNO

O domínio do conhecimento se refere a quão bem definido estão as capacidades da organização para viabilizar a inovação. Um exemplo é se o projeto usa uma tecnologia conhecida e se sabemos quanto tempo levará para a sua implantação.

Já o domínio do problema vai olhar para quão bem está definido o que queremos resolver com essa oportunidade. Se há um escopo fechado com os stakeholders e se já existe um mercado alvo com produto, comunicação e preço estabelecido.

De acordo com o método SENNO, existem três formatos de inovação mais comuns: a incremental, radical e breakthrough. É sobre isso que vamos abordar neste artigo. 

Mas antes de começar, precisamos diferenciar invenção de inovação. A primeira é a criação, o design ou a descoberta de um novo dispositivo, processo, composto, material ou método, por meio de pesquisa científica ou experimentação. 

Invenção ≠ inovação

Somente quando a invenção consegue ter uma aplicação comercial, é que ela passa a ser considerada uma inovação. Isto é, quando se gera algum tipo de valor.

O que é inovação incremental?

O primeiro tipo de inovação, a incremental, é o mais comum, por ser o mais fácil de executar. Como o próprio nome diz, ela envolve a realização de pequenas melhorias incrementais de tecnologia, mercado e conhecimento para agregar valor a produtos, serviços e processos existentes. 

Isso pode ser tão simples quanto adicionar um novo recurso a algo que já existe ou desenvolver um novo produto em um portfólio. Depende de uma tecnologia já conhecida e de um modelo de negócios estabelecido e, como tal, é de baixo risco.

Como abarcam altos domínios do conhecimento e do problema, são soluções de fácil acesso para os problemas.

Ao optar por inovações incrementais, a organização terá mais capacidade de prever os resultados da inovação, ajudando elas a permanecerem competitivas e a manter fluxos de receita previsíveis.

Há, no entanto, uma troca no potencial de ganho, pois a iniciativa essencialmente visará a uma mudança no universo que a empresa já domina, limitando assim a capacidade de criação de valor.

Todo ano, as grandes montadoras lançam novas versões de seus automóveis trazendo novidades, embora poucas delas sejam, de fato, indispensáveis. Essas inovações potencializam os usos das competências e das tecnologias já existentes.

A chave para o sucesso neste modelo é entender o espaço em branco no mercado, as necessidades fundamentais do cliente e como seu produto ou serviço pode ser melhorado para melhor atender a essas necessidades.

O que é inovação radical?

O segundo tipo é a radical, que envolve a criação de novas tecnologias e de novos modelos de negócios simultaneamente. É possível falar que inovação radical é a mais falada e comentada na mídia, mas na verdade, é a mais rara de todas. 

Ela tem como características o alto domínio do conhecimento e baixo domínio do problema. Ou seja, são melhorias técnicas sem clareza das consequências da adoção inovadora. 

Exigem desenvolver novas competências, abordagens diferentes para a pesquisa e envolvem mudanças significativas nos negócios, bem como investimentos. 

Mas, se executada com sucesso, pode ser transformacional, isto é, mudar a forma de um mercado existente, tornando a competição obsoleta ou criando um mercado inteiramente novo.

Voltando ao exemplo do carro: existe, ao mesmo tempo, o desafio técnico de desenvolver um automóvel 100% autônomo e ainda é preciso resolver questões éticas. Como o carro responderá a uma situação em que ele ou salva o pedestre ou bate o carro, podendo matar os passageiros?

O que é inovação breakthrough?

O próximo tipo de inovação, a breakthrough, lida com tecnologias, mercados e conhecimentos desconhecidos e pode requerer novos modelos de negócios.

Ela tem como característica o alto domínio do problema e baixo domínio do conhecimento. É o oposto da radical, propondo melhorias originais para problemas bem determinados.

A inovação breakthrough é de alto risco, pois requer maior investimento em termos de capital, tempo e recursos. Quando uma organização procura desenvolver inovações breakthrough (ou radicais), ela tem um apetite ao risco maior, exigindo que os retornos sejam maiores também. 

E normalmente isso acontece, as recompensas tendem a ser maiores, pois a inovação breakthrough resulta em produtos ou serviços que oferecem um valor significativamente melhor aos clientes do que as ofertas existentes.

Aproveitando o exemplo do automóvel, podemos imaginar o problema dos atropelamentos, em que a ideia de criar um airbag que protegeria os pedestres do impacto de um carro ainda está além dos conhecimentos disponíveis.

Isso acontece pois a inovação breakthrough exige habilidades diferentes das usadas em inovações incrementais, sendo preciso empregar mais técnicas exploratórias que lidem com cenários e ambiguidades, pois é uma etapa do desenvolvimento em quem não existe uma padronização ou mesmo um design dominante.

Esse tipo de pesquisa é mais difícil: não basta perguntar aos usuários o que eles desejam, já que dificilmente eles conseguem prever suas necessidades futuras. Uma abordagem é olhar para outras indústrias, entrevistar especialistas ou early adopters, e assim começar a desenvolver produtos ou serviços breakthrough.

Bônus: existe ainda a pesquisa básica

Matriz de disrupção ajuda a balancear um portfólio de inovações
Não podemos esquecer da pesquisa básica

A pesquisa básica é uma forma de criar inovações de forma exploratória e sem uma real conexão com o mercado. É um investimento que servirá de fundamento para a criação de inovações radicais, breakthrough e incrementais.

Ela tem como característica os baixos domínios do conhecimento e do problema.

São inovações que necessitam de mais estudo tanto no sentido de tornar tecnicamente viável como nos desdobramentos que surgirão. 

Um exemplo de pesquisa básica são os carros voadores, dos quais nem a tecnologia para a produção está madura, tampouco foram determinados os problemas que uma frota desse tipo traria ao transporte das cidades.

Conclusão

Para cada tipo de ambição, haverá uma combinação mais adequada de inovações. Para organizações como startups, não faz sentido apostar em inovações incrementais, pois o seu modo de operação exige um crescimento acelerado e exponencial, havendo um enfoque em inovação breakthrough e radical.

Já em instituições mais maduras, faz sentido realizar inovações incrementais para melhorar as margens ou trazer mais valor aos consumidores. Mas é preciso lembrar que nenhum mercado se mantém estável indefinidamente e está sempre suscetível a mudanças de paradigmas, tornando inovações incrementais obsoletas. 

Visão analítica de como balancear um portfólio de inovações
Visão analítica de como balancear um portfólio de inovações

Por isso, é tão importante que haja uma mistura dos três tipos de inovação. Para organizações consolidadas, a regra de bolso é 70-20-10 (70% incremental, 20% breakthrough e 10% radical). 

Essa regra, no entanto, não é uma lei ou fórmula mágica, já que cada empresa tem seu próprio modo de desenvolver a inovação. Seja qual for a proporção do investimento, idealmente, elas devem se integrar numa ambição comum, de maneira a construir sinergias para o êxito futuro da organização.

Faça o download do método SENNO para mais informações sobre o tema.