Inovar é simples, não? Basta desafiar o status quo, gastar uma boa quantia em tecnologia e ainda ter uma excelente leitura do mercado e, assim, teremos êxito comercial. O guru da administração, Peter Drucker, sintetiza de maneira singela a inovação. 

“Todas as inovações eficazes são surpreendentemente simples. Na verdade, o maior elogio que uma inovação pode receber é haver quem diga: isto é óbvio, por quê não?”

Mas fora do mundo de frases de efeito e dos pitchs, a inovação pode ser cruel. Ela envolve um elevado nível de incerteza, um enorme risco e muito, mas muito esforço.

Na virada do milênio, o Yahoo! estava prestes a comprar a Ford, a Embratel pedia para fazer um 21 e a Varig era um benchmark de excelência em aviação.

Em comum, são empresas que acumularam erros de visão, lacunas na gestão e análise incorretas do ambiente. Muitos diriam que elas falharam na forma de entregar valor. Mas a raiz do problema pode ser a falta de uma estratégia de inovação.

É sobre isso que vamos falar agora neste post.

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Uma boa estratégia é crítica para o sucesso

Se abrir qualquer livro de administração, vai notar que todos deixam claro que uma estratégia bem elaborada é crítica para o sucesso de uma organização. 

Essencialmente, a estratégia é sobre as escolhas que você realiza em detrimento de todas as outras que rejeita. Fazendo as escolhas estratégicas corretas, a organização avança; do contrário, tende a estacionar ou fracassar. 

Mas para conectar o planejamento estratégico com a estratégia de inovação, devemos pensar em alguns fatores:

  • Entender a importância de um planejamento estratégico.
  • Ter clareza de que a estratégia de inovação deve estar alinhada com o planejamento estratégico.
  • Criar um portfólio para direcionar os esforços de inovação.
  • Ter um funil de ideias bem abastecido.

O que é planejamento estratégico?

Planejamento é a capacidade desenvolvida pelas empresas para se adaptarem continuamente às mudanças ambientais.Trata-se de um roteiro que ajuda uma organização a descobrir como chegar onde ela quer ir. O processo inclui examinar pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças para, em seguida, planejar ações futuras de maneira realista e com prioridades.

O planejamento estratégico é um processo contínuo. É fato que a estratégia realizada nem sempre coincide com a pretendida. Ao realizar o monitoramento e avaliação dos resultados, consegue-se adaptar o planejamento inicial às mudanças do ambiente externo e interno. 

Confira cinco modelos para implementar o planejamento estratégico neste post.

Por que a inovação deve estar alinhada com a estratégia?

As oportunidades para inovar são sempre muito maiores do que a capacidade de implementá-las. Ao dispor de um alinhamento da estratégia da inovação com os objetivos estratégicos, aumenta-se as chances de encontrar oportunidades que se conectem à visão que a organização pretende entregar.

Para qualquer organização, a estratégia de inovação representa não somente uma oportunidade de sobreviver num ambiente competitivo, mas também de influenciar a direção de uma indústria, como fizeram Apple, Tesla, Microsoft, Netflix e Uber, só para citar alguns exemplos. 

Essas companhias realizaram mudanças em elementos-chave dos modelos de negócios dominantes ou em determinadas tecnologias, passando a remodelar setores inteiros.  Ao determinar as novas regras do jogo, elas obtiveram protagonismo, conseguindo capturar mais valor e protegendo melhor a sua posição. 

Saiba mais sobre as boas práticas de planejamento de inovação no nosso blog.

Tenha um portfólio de inovação

Ter um portfólio de inovação é uma boa prática recomendada pela SENNO. Funciona de maneira similar a um portfólio de investimento: é necessário diversificar as aplicações para reduzir o risco da carteira. É como diz o famoso ditado “nunca coloque todos os ovos na mesma cesta”. 

O portfólio de inovação é a melhor forma de conectar estratégia, capacidades e visão de futuro da organização com suas iniciativas de inovação. Ele cumpre duas missões simultâneas e opostas: fortalecer o modelo de negócios atual e, ao mesmo tempo, explorar novas fontes de crescimento e modelos de negócio.

Existe uma regra de bolso na gestão da inovação que é investir na proporção de 70-20-10. Isto é, 70% dos seus esforços vão estar na em inovações incrementais, 20% em inovações complementares e 10% em disruptivas. 

Mas é preciso deixar claro que não existe uma fórmula mágica para distribuir esses ovos da cesta. Cada empresa e mercado vai ter a sua maneira e abordagem de tratar a inovação. 

Uma empresa de bens de consumo, como vemos no exemplo abaixo da Harvard Business Review, é muito focada em inovações incrementais, utilizando da prática de lançar iterações sobre uma linha de produtos consolidada. Pense em quantos versões de sabão em pó estão disponíveis nas prateleiras do supermercado. 

Não existe fórmula mágica para distribuir os investimentos do portfólio de inovação. Crédito: SENNO, adaptado de HBR.
Não existe fórmula mágica para distribuir os investimentos do portfólio de inovação. Confira a proporção em algumas indústrias. Crédito: SENNO, adaptado de HBR.  

Já em outros mercados como o de TI, o ciclo de vida dos produtos é mais rápido, onde se recomenda realizar investimentos maiores em tecnologias disruptivas como forma de diferenciação. 

Outra abordagem é pensar em tempos de desenvolvimento da inovação: existem projetos com horizontes de curto, médio e longo prazo. 

Se no portfólio de inovação houver apenas iniciativas de curto prazo, é possível que haja um incremento rápido de receitas. Mas, em última instância, a organização estará sacrificando o crescimento de longo prazo. 

O raciocínio inverso também é válido: a organização terá grandes benefícios no futuro ao investir em projetos de médio e longo prazos, mas pode não conseguir a manutenção das receitas para alcançar essa visão.

Como criar um portfólio de inovação?

Existem algumas práticas recomendadas para criar um portfólio de inovação. A revista HBR e o InnovationLabs trazem insights valiosos para gerir o processo. 

O primeiro passo é desenvolver um consenso de que a inovação é essencial para o crescimento e competitividade da organização. Outra etapa é avaliar quais são os principais fatores estratégicos do seu setor, definindo quais as características e critérios que vão ser usados para realizar essa modelagem de negócio. 

Vale lembrar que a posição competitiva da empresa em seu setor tem influência, bem como seu estágio de desenvolvimento. Uma startup deve dobrar a aposta em tecnologias disruptivas, corporações estabelecidas tendem a ser mais cautelosas.

Além de pesquisas externas, vem a calhar fazer um assessment interno para saber quanto tempo, esforço e dinheiro a empresa está investindo em iniciativas incrementais, disruptivas e breakthrough

Ter noção da capacidade, dos talentos e habilidades do seu time para entregar a inovação também vai ajudar a descobrir esse equilíbrio, permitindo saber que tipo de conhecimento terá que ser adquirido externamente, por exemplo. 

Outros aspectos são importantes para criar um portfólio: 

  • o financiamento da inovação. 
  • o gerenciamento das atividades.
  • as metas e objetivos de cada iniciativa de seu portfólio de inovação. 
  • como essas expectativas estão ajustadas com as entregas. 

Estes fatores são mais típicos da gestão de projetos do que propriamente de gestão da inovação. 

Além de conseguir o equilíbrio no desenvolvimento da sua carteira de projetos, é preciso tratar a gestão da inovação como um sistema integrado. 

“Não é recomendado esperar que seu futuro venha de uma coleção de esforços individuais que competem entre si por tempo, dinheiro, atenção e prestígio”, afirma a revista HBR. 

Para alcançar esse balanço ótimo do portfólio de inovação, é necessário implementar ferramentas, gerenciando os diferentes projetos e somando essas partes para que eles façam sentido em um todo.

Digitalizar é saída para administrar a inovação

Uma das técnicas mais conhecidas para administrar a inovação nas empresas é o Stage-Gate, idealizado nos anos 1990. Nele, a inovação é dividida em fases. Para o projeto avançar para a próxima fase, é submetido a uma avaliação (gate), que decide se ele segue, é mantido em espera ou cancelado. 

O modelo busca melhorar as chances de sucesso dos projetos ao adicionar clareza e definição a ideias difusas: se estas não atingirem de forma satisfatória os critérios de avaliação, serão canceladas antes de gerar prejuízos maiores.

Há no entanto muita crítica hoje em dia ao modelo. Uma delas é que ele gera um vício na forma de aprovação de projetos em empresas, pois ele tende a passar iniciativas com ênfase incremental, sendo um “matador” da inovação disruptiva. 

Outro ponto é que os colaboradores podem “torturar os números”, de modo que o projeto seja aprovado de maneira facilitada, mesmo que os dados apresentados não tenham uma conexão com a realidade. 

Existem modelos modernos que enfatizam mais qualidade, desempenho e necessidade de colaboração entre as áreas de marketing e pesquisa externa, além de integração com sistemas de tecnologia da informação. Essas parcerias estratégicas – mais a participação do usuário na criação de produtos – se traduzem em sistemas de inovação abertos.

Confira o framework SENNO para ajudar a criar uma estratégia e  um portfólio de inovação. Crédito: SENNO.
Confira o framework SENNO para ajudar a criar uma estratégia e um portfólio de inovação. Crédito: SENNO.

Além da inovação aberta, soma-se a digitalização das empresas, com o uso de softwares em tempo real para automatizar e acelerar o processo de inovação dentro da organização. A tecnologia auxilia nas tomadas de decisão sobre a estratégia de inovação, trazendo benefícios como velocidade, assertividade e redução de custos. 

O funil de ideias deve estar abastecido

Outro desafio para gerenciar a inovação numa empresa é ter em boa quantidade de ideias em todas as etapas do funil. Para ter sucesso, a organização precisa identificar oportunidades, gerar ideias em grandes quantidades, avaliar essas ideias e, por fim, implementá-las, para que gerem valor às pessoas. 

Ou seja, é preciso capturar ideias de diferentes fontes, como consumidores, líderes, do seu time, colaboradores de outras áreas, além de parceiros externos. O segundo passo do funil é organizar e centralizar o acesso a estas ideias. 

O terceiro passo é analisar essas ideias por meio de ferramentas de avaliação como a matriz de dificuldade e impacto ou de tempo e retorno, por exemplo. O objetivo do funil é funcionar como um filtro: começa com uma grande quantidade de ideias e termina com alguns poucos exemplares que devem ser levados adiante. 

Ter um software de gestão de ideias, como o SENNO, pode auxiliar em tarefas como a coleta e seleção de ideias, bem como na presença de um sistema de avaliação padronizado e colaborativo. Outra opção é usar uma lousa em branco, preenchida com posts-its e caneta.

O SENNO é um software para criar e gerenciar o portfólio de inovação. Crédito: SENNO
O SENNO é um software para criar e gerenciar o portfólio de inovação. Crédito: SENNO

Seja qual for a prática, digital ou analógica, é importante realizar o funil de ideias de maneira estruturada e sistemática. Confira algumas perguntas-chave que os líderes devem fazer toda semana (ou diariamente) para o seu time: 

  • Quais são os nossos problemas?
  • Que ideias temos para resolvê-los?
  • Quais são as melhores ideias para solucionarmos o problema?
  • Temos os recursos para podermos trabalhar essa ideia?

E fica uma recomendação da SENNO: jogue fora a sua caixa de sugestões. Dentro dela existe muita poeira e pouco engajamento. Se for usar técnicas analógicas, prefira uma boa conversa do que a impessoalidade de uma caixa de plástico. 

Conclusão

Como vimos, a criação de uma estratégia de inovação pressupõe uma série de atividades que demandam uma capacidade analítica de entender para onde o mercado está indo, bem como um estudo interno das competências da empresa. 

A estratégia de inovação necessita ser mais do que a identificação e a exploração de oportunidades. É preciso criar e gerir bem um portfólio de inovação, realizando a avaliação de risco e dos ganhos de cada projeto ou iniciativa. 

Mas a estratégia de inovação pode ser uma faca de dois gumes. 

Sem ela, a chance de sucesso de uma empresa a longo prazo é menor, uma vez que os diferentes times da empresa podem acabar perseguindo prioridades conflitantes. 

Mas se for muito fechada em si mesma, pode barrar o desenvolvimento de ideias promissoras, que são interrompidas nas etapas de filtragem por não se encaixarem na estratégia de inovação.

Para o autor Gary Pisano, o desafio é reconhecer que estratégias de inovação são uma hipótese, que deve ser testada no mercado e confrontadas com novas tecnologias, regulamentações e concorrentes. Devem seguir a mesma lógica de projetos de produtos e serviços, que estão sempre em evolução para se manterem competitivos.

“Como o próprio processo de inovação, uma estratégia de inovação envolve experimentação, aprendizado e adaptação contínua”. 

Vale lembrar o que dissemos na linha deste texto: inovar é simples, não?