O ecossistema de inovação abrange centenas de empresas, dezenas de técnicas, conceitos e boas práticas. Além disso, traz um novo vocabulário, contando com normas, diretrizes, padrões muito similares em si, o que na maior parte das vezes mais confunde do que que ajuda. 

A inovação em si, é claro, está na agenda prioritária de qualquer executivo, gerente ou analista. Em todo mundo, empreendedores estão construindo redes de conhecimento, compartilhando informações, adotando metodologias de governança. Mas devemos admitir que o ecossistema de inovação ainda é bem fragmentado, com dezenas de abordagens. 

A SENNO tem a missão de trazer mais informação para o gestor que deseja iniciar uma jornada de inovação. Nos nossos canais, temos dezenas de conteúdos com intuito de tornar a sua caminhada mais fácil (ou menos árdua). 

Hoje vamos analisar um relatório da Mckinsey, uma das maiores empresas de consultoria do mundo. O texto de janeiro de 2018 mostra o porquê muitas empresas falham na transição de uma economia física para o digital. Aponta ainda algumas das armadilhas que podem ser evitadas com uma boa estratégia digital. Tenha acesso ao relatório completo neste link e acompanhe agora alguns insights selecionados pelo time da SENNO. 

A primeiro dica é uma provocação. Muitas companhias acreditam que ter algumas iniciativas digitais significa estar digitalizada. Um ledo engano. O artigo da Mckinsey aponta que apenas 8% das empresas entrevistadas teria continuidade com seu modelo de negócios se o segmento continuar a digitalizar na velocidade atual. 

É um número preocupante. 

Mas por que as estratégias digitais não estão funcionando? De acordo com a Mckinsey, tem a ver com a magnitude da força econômica disruptiva que o digital se tornou e sua incompatibilidade com os modelos econômicos, estratégicos e operacionais tradicionais. 

“A maioria das estratégias digitais não reflete como o digital está mudando os fundamentos econômicos, a dinâmica do setor ou o que significa competir. As empresas devem tomar cuidado com cinco armadilhas”. 

Confira os cinco problemas abaixo. 

Digital carece de uma única definição

Pergunta o que significa digital para um funcionário do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento, para outro do marketing, alguém do financeiro ou de recursos humanos. Cada um vai ter uma única resposta, adequada às suas necessidades. 

De acordo com a Mckinsey, são poucos os líderes e executivos que se concentram numa visão holística do digital, algo que vai mudar uma corporação da mesma maneira que o uso de smartphones alterou o nosso cotidiano. 

“Vemos o digital como a capacidade quase instantânea, gratuita e sem falhas de conectar pessoas, dispositivos e objetos físicos em qualquer lugar. Até 2025, cerca de 20 bilhões de dispositivos estarão conectados, quase três vezes a população mundial. Nos últimos dois anos, esses dispositivos produziram 90% dos dados já produzidos”, afirma a consultoria americana. “Na falta de uma definição clara do que é digital, as companhias lutam para conectar a estratégia digital aos seus negócios, ficando à deriva nas águas agitadas da transformação digital”, prossegue o texto. 

Neste sentido, o método SENNO pode ajudar.

Ele permite que a organização encontre uma compreensão de alto nível, clara e comum de sua estratégia digital que esteja conectada com o seu plano de negócios de maneira a criar diversas iniciativas de inovação centradas em atingir este objetivo de transformar o negócio tradicional em digital.

Entendendo a economia digital

Eis uma grande e assustadora notícia para quem deseja converter suas forças digitais em uma vantagem econômica. O digital cria mais valor para os clientes do que para as organizações. “O digital pode, a longo prazo, tornar obsoletos os intermediários de distribuição. E as ofertas digitais podem ser reproduzidas de maneira quase livre, instantânea e perfeita, transferindo valor para players em escala, levando os custos marginais a zero e comprimindo os preços”, afirma o artigo, assinado por Jacques Bughin, Tanguy Catlin. Martin Hirt e Paul Willmott. 

Por isso, os gestores precisam antes do que nunca aprender sobre a economia digital, entendendo seus valores e premissas. Isso certamente será útil para rever planos estratégicos e competir no mercado

Um exemplo que ilustra são as agências de viagens, que perderam a importância frente aos canais digitais de hotéis, companhias aéreas e o próprio Airbnb, este um dos maiores cases de sucesso da economia colaborativa. 

Outro case citado no artigo é da computação na nuvem. Atualmente é quase inviável economicamente para uma empresa manter uma estrutura de TI sem considerar a abordagem de cloud privado, público ou híbrido. Com este movimento, as empresas que vendiam hardware para servidores perderam protagonismo. 

Outro conceito do report é o winner takes all, em tradução livre, o vencedor leva tudo. Isso significa que quanto mais escala uma empresa tem, mais dominante ela se torna em seu respectivo mercado. Como exemplos, a Mckinsey aponta a Apple, que leva quase 90% do lucro do mercado de smartphones e a Amazon, que tem um market cap gigantesco frente a outros varejistas como o Walmart. 

Em resumo, existe uma tendência de concentração da receita em poucos players. A consultoria americana diz que é equivocada a estratégia de apenas manter o seu market share, com exceção das empresas líderes em seus respectivos segmento. 

“Um pequeno número de vencedores – geralmente empresas de alta tecnologia e de mídia – estão se sobressaindo na era digital. Elas agrupam grandes volumes de dados de clientes extraídos de suas vantagens de escala e rede. Isso desencadeia um ciclo virtuoso no qual estas informações ajudam a identificar ameaças iminentes e os melhores parceiros na defesa de suas cadeias de valor”, prossegue o artigo.

Outro fenômeno observado é que quem chega primeiro, consegue mais mercado e rentabilidade. Analisando dados financeiros dos últimos três anos, a consultoria observou que o crescimento da receita para os pioneiros é quase o dobro das empresas que ignoraram as estratégias digitais. ”Os pioneiros e seus seguidores desenvolvem uma vantagem de aprendizado. Eles testam e aprendem incansavelmente, lançam protótipos, refinando eles com resultados em tempo real, reduzindo assim o tempo de desenvolvimento de vários meses para alguns dias”. 

Um dos exemplos citados é da Tesla, que foi a primeira a perceber que o futuro mercado automotivo é o carro elétrico. Há pouco mais do que quatro anos, Tesla valia US$ 4 bilhões. Hoje a sua capitalização de mercado só é menor do que a Toyota, líder do segmento. As outras montadoras estão gastando cerca de US$ 20 bilhões em P&D para chegar no nível de aprendizado e conhecimento da Tesla.

A importância do ecossistema

A SENNO já escreveu sobre inovação aberta e a importância de observar e interagir com seus ecossistemas. No nosso whitepaper sobre o método SENNO, afirmamos que “o contexto de ecossistemas de inovação aberta reflete a necessidade das organizações se adaptarem a uma nova dinâmica de mercado. Ter um bom produto já não é suficiente e entregar uma oferta customizada, por múltiplos canais de distribuição convenientes, torna-se o padrão esperado”. É preciso identificar e interagir com inovadores chaves no ambiente externo para conseguir inovar com sucesso.

A Mckinsey, por sua vez, avança na questão, afirmando que todos os segmentos devem estar abertos a importância de um ecossistema. Cita os exemplos dos supermercadistas nos Estados Unidos, em concorrência com a Amazon. Do Apple Pay, uma ameaça constante para os bancos. Dos aplicativos chineses da Tencent e Alibaba, que construíram uma rede para gerar valor e atuar em mercados antes inimagináveis como seguros, assistência médica ou imóveis. 

“Economia da plataforma digital e do ecossistema revertem os fundamentos da oferta e demanda. Nesse terreno, as melhores empresas têm escala para alcançar uma base de clientes quase ilimitada, usar inteligência artificial e outras ferramentas para projetar níveis requintados de serviço e se beneficiar disso. Modelos de negócios improváveis ​​se tornaram realidade. O Facebook agora é um importante media player e não produz conteúdo. Uber e Airbnb vendem mobilidade e hospedagem sem possuir carros ou hotéis”.

De acordo com a consultoria, estes ecossistemas podem ter uma receita estimada em US$ 60 trilhões até 2025, o que responde por mais de 30% do faturamento corporativo global. “Sete dos doze maiores market caps são empresas que investem em ecossistemas: Alibaba, Alphabet (Google), Amazon, Apple, Facebook, Microsoft e Tencent. E das empresas que responderam a pesquisa, apenas 3% adotam uma estratégia de plataforma abrangente”. 

Ou seja, é hora das organizações definirem sua estratégia de plataforma, seja associando-se a uma ou criando sua própria. 

As empresas nativas digitais não são o alvo

Outra armadilha é que as empresas tradicionais consideram como adversário a ser batido as companhias nativas digitais. A Mckinsey chama essas empresas de suspeitos comuns e chama ainda a atenção para as oportunidade do mercado B2B. 

“O foco no consumidor de muitos líderes facilita a negligência da crescente importância do digital nos mercados B2B. É fácil ignorar a transformação digital nas empresas e suas implicações competitivas, porque as mudanças digitais em andamento são menos óbvias do que no mercado B2C”, afirma o texto. 

A consultoria cita como boas oportunidades os termos já velhos conhecidos de CEOs e CIOs: a Internet das Coisas (IoT), sistemas analytics, inteligência artificial e realidade aumentada, além do blockchain.

“Em alguns segmentos, automação de processos (RPA) digitalizou silenciosamente entre 50% a 80% das operações de backoffice. As oportunidades associadas a mudanças como essas devem ser inspiradoras ou ameaçadoras para as companhias tradicionais? A resposta é ambas”, diz o artigo.

Ter uma missão dupla

A transição para o digital mostra que as empresas necessitam de uma dupla missão: combinar uma estratégia agressiva no digital e continuar com seus ativos atuais para não perder clientes e valor de mercado. “A maioria das empresas não pode simplesmente abandonar os negócios existentes, ao passo que necessitam digitalizar seus negócios atuais e buscar novos modelos”, afirma o paper.

Isso vai exigir um alinhamento da inovação com a estratégia, algo já mencionado no método SENNO. “A estratégia e a execução não podem mais ser abordadas separadamente. As pressões do digital significam que é preciso se adaptar simultaneamente e iterativamente para ter sucesso”, diz o artigo da Mckinsey.

Em resumo, para manter a sua posição no mercado e ainda gerar valor no futuro, muitas companhias vão ter que gerir a inovação de maneira mais assertiva. A consultoria traz duas abordagens para esta complexa tarefa: 

  • Um caminho é chamado de reinventores digitais, ou seja, empresas que investem em tecnologia, realizam aquisições de empresas digitais e são agressivas na inovação do seu modelo de negócios. 
  • A outra escolha é a adaptação digital, que significa continuar no mercado e preparar a cama para o futuro. Essa visão de longo prazo pode ser feita com o lançamento de produtos minimamente viáveis (MVPs) e protótipos. Este percurso, no entanto, pode encontrar dificuldades em culturas corporativas avessa a riscos. 

Conclusão

A adoção intensiva de tecnologia permite equilibrar o dilema acima. É útil para a startup que está competindo com uma grande corporação e também para a organização que deseja pivotar o seu plano de negócio. Com a tecnologia correta, ambas terão a oportunidade de atingir um oceano azul, um espaço com menos concorrentes e mais margens de ação e de lucratividade. 

A SENNO disponibiliza no mercado brasileiro o aplicativo que aplica a nossa metodologia de gestão da inovação, combinando técnicas de data science, inteligência aumentada e crowdsourcing. Faça o cadastro gratuito neste link. Com a nossa tecnologia, seus colaboradores conseguem focar na parte estratégica da inovação, otimizando este processos e conseguindo criar os MVPs mais rápido, aprendendo assim com os erros e os acertos.

“O reconhecimento do desafio que envolve o digital é o primeiro passo para os líderes. O próximo é desenvolver uma estratégia digital que responda a estas mudanças”, diz o paper da Mckinsey. “A amplitude do digital significa que a definição da estratégia precisa envolver toda a equipe, não apenas os líderes e gestores. Isso permitirá que a organização detecte oportunidades estratégicas e esteja preparada para a mudança enquanto testa, aprende e se adapta”, finaliza o texto. 

Para facilitar essa tarefa árdua e cheia de nuances, acreditamos que o aplicativo SENNO pode ser um meio poderoso para impulsionar o seu negócio e transformar a sociedade. Conhecemos pessoas e organizações incríveis que também acreditam nesta missão de transformar informação e ação. Venha então somar com gente. 

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Confira o relatório completo da Mckinsey neste link.