5 insights para gerir a inovação na sua empresa
São Paulo, 14 de janeiro de 2025Resumo:
- As empresas precisam ser ágeis para lidar com mudanças em inovação e tecnologia.
- A inovação não deve ser vista como um processo isolado, mas sim como parte da estratégia da empresa.
- As empresas devem estar abertas a colaborar com startups e outras empresas para inovar.
- Criar uma cultura de inovação é essencial, com incentivos e reconhecimento para ideias criativas.
- A liderança é essencial para promover a inovação e criar uma visão clara e ambiciosa para a empresa.
- Medir resultados e aprendizado contínuo são cruciais para o sucesso da inovação.
No ambiente de negócios atual, a inovação não é apenas inevitável, é necessária para que as empresas mantenham uma vantagem competitiva sobre seus concorrentes.
No entanto, o sucesso da implementação de uma mudança - um novo processo, tecnologia ou adaptação a uma regulamentação - depende de como os funcionários entendem, se engajam e adotam a inovação sugerida pela gerência.
Para gerenciar bem a inovação, você precisa ter informações de qualidade. Você precisa comparar sua realidade com outros casos de sucesso e conhecer as melhores práticas do mercado.
Visando preencher essa lacuna de informação, a consultoria holandesa KPMG lançou o Benchmarking Innovation Impact 2020.
O relatório — produzido em parceria com a Innovation Leader e agora em sua segunda edição — reúne resultados de pesquisas e análises sobre o que os líderes de inovação estão (e não estão) fazendo hoje.
Ele também inclui perspectivas e insights, baseados na própria realidade da KPMG, na aplicação de processos com seus clientes, além de uma série de entrevistas com líderes de inovação, que falam sobre os desafios que enfrentaram.
Maior confiança na inovação
Os números da pesquisa mostram que os executivos estão mais confiantes de que a inovação — e uma gestão assertiva da inovação — trarão bons resultados para as corporações no longo prazo.
Entre os 200 entrevistados, incluindo lideranças da área ou responsáveis pelo setor de pesquisa e desenvolvimento, cerca de 56% acreditam que sua empresa investirá mais em inovação em 2020, quando comparado a 2019. E 42% deles aumentaram sua confiança de que a estratégia e o investimento em inovação permitem que sua empresa se mantenha competitiva.
Das organizações que participaram da pesquisa, cerca de metade oferece algum tipo de reconhecimento ou premiação pela participação em atividades de inovação. E a métrica mais comum usada para programas de inovação é a receita gerada, com 58% dos entrevistados usando esse KPI para avaliar o impacto.
Para 61% dos entrevistados, o maior desafio encontrado para escalar a inovação é priorizar essas iniciativas em detrimento dos outros projetos da organização. O segundo maior desafio é mudar uma cultura empresarial ultrapassada e presa em processos ultrapassados, segundo 59% dos executivos.
“Uma chave para a longevidade e o impacto das equipes de inovação em qualquer setor é que elas encontrem maneiras de colaborar com outras partes da organização”, diz Scott Kirsner, CEO e cofundador da Innovation Leader. “Criar aliados e apoiadores é fundamental, porque sempre há conflito interno e debate sobre quais recursos você precisa trabalhar.”
Outra descoberta impressionante é que as organizações estão cada vez mais integrando esforços de inovação com estratégia. Empresas com processos de inovação mais maduros eram significativamente mais propensas a ter atividades de inovação integradas ou colaborando com sua estratégia do que a média geral (81% vs. 56%). Isso significa que essas empresas têm a oportunidade de desenvolver as estratégias e abordagens certas para escalar a inovação com sucesso, alinhando esse processo com outros departamentos.
Saiba quais são as recomendações e previsões da KPMG. Além disso, recomende a leitura para seus colegas e parceiros. O material contém dados e histórias de sucesso e pode ser uma fonte de inspiração para organizações que estão iniciando sua estratégia de inovação.
Crie uma estratégia básica
O relatório da KPMG segue uma estrutura semelhante ao famoso ciclo PDCA. Em outras palavras, a antiga metodologia de gestão recomenda Planejar, Fazer, Verificar e Ajustar, num estilo muito data-driven.
Adaptado ao contexto da inovação, o Planejamento mostra que é preciso integrar iniciativas de inovação ao planejamento estratégico. A consultoria mostra que as organizações estão buscando formas de comprovar o valor estratégico da inovação para obter recursos adequados.
Outro fato importante é que o investimento em inovação está focado em inovação adjacente e transformacional. E que as empresas estão se afastando da proporção mais aceita, que é investir 70% dos esforços em inovação incremental, 20% em adjacente e 10% em transformacional.
Atualmente, cerca de 52% das iniciativas de inovação estão focadas em atividades adjacentes e transformacionais. E essa mudança aumenta para quase 60% para inovação adjacente e transformacional em empresas consideradas modelos. Isso indica que essas organizações estão alocando recursos para novos modelos de negócios e serviços mais ambiciosos.
Financie a inovação adequadamente
Segundo a KPMG, a maioria dos esforços de inovação ainda é tímida. A maioria das empresas ainda cria esforços e iniciativas como laboratórios de inovação, programas de capital de risco ou cria ecossistemas abertos, quando a inovação é gerada em parceria com colaboradores externos.
A pesquisa traz números interessantes. Cerca de 43% dos programas relacionados à inovação têm menos de dez funcionários em tempo integral.
E quase 60% dos executivos disseram que a criação do programa em si é vista como uma evolução. Um deles disse que criar uma estrutura para organizar o caos é a única coisa que fizemos que teve algum impacto.
Em outras palavras, uma recomendação da KPMG é criar instrumentos para financiar a inovação, disponibilizando recursos, ferramentas e pessoal para que esse investimento faça sentido.
Esses projetos podem ter seu próprio centro de custo, conter recursos diretos do orçamento anual da empresa ou até mesmo um modelo de financiamento híbrido. Nesse caso, o financiamento do projeto é específico para o time de inovação, mas os custos operacionais fazem parte do orçamento geral.
Cerca de 40% dos entrevistados citam a falta de orçamento como um obstáculo para o sucesso de seus programas de inovação.
Nesse sentido, os CFOs devem ajudar a criar estratégias que vão além das medidas financeiras tradicionais, incluindo a criação de um portfólio de inovação. Dessa forma, é possível equilibrar as necessidades atuais do negócio com investimentos de longo prazo.
Fique atento à cultura da empresa
Conflitos internos e culturais podem ser os principais inimigos da inovação. Por isso, a empresa deve alinhar bem seu público interno sobre a importância estratégica da inovação.
Tanto que o relatório da KPMG menciona que política, jogos de interesse e uma cultura corporativa avessa à inovação foram os principais obstáculos citados em 2019. Esses motivos também estavam no topo da lista na pesquisa realizada em 2018.
Uma das maneiras das equipes envolvidas em inovação superarem esse problema e mostrarem seu valor, segundo o relatório, é abraçar processos ágeis e criar maneiras de testar suas ideias de forma barata e rápida.
“Equipes de inovação poderão provar seu valor desenvolvendo a capacidade de experimentar e capturar aprendizados mais rapidamente e com o menor custo possível. A capacidade de testar, aprender e iterar foi mencionada como um dos principais fatores para o sucesso da inovação em suas empresas”, afirma o relatório da KPMG.
Entre as empresas consideradas modelos, o aprendizado e os insights gerados são as principais métricas não financeiras incluídas em seus relatórios de impacto. Nesses casos, ao testar a validade de uma ideia, é possível capturar dados que ajudarão a atrair mais financiamento e suporte da organização.
No entanto, segundo o benchmark, analisar tendências de mercado e gerar insights pode não ser suficiente. É preciso reagir rapidamente às mudanças no mercado que podem afetar seu crescimento e lucratividade a longo prazo.
A pesquisa mostra que apenas 15% das empresas conseguem “captar sinais de mudança” relevantes para seus negócios. Enquanto isso, 42% dos executivos dizem não conseguir criar ações — mesmo que específicas — para responder aos sinais.
Medir o impacto e o sucesso da inovação
O mestre da gestão Peter Drucker disse uma vez que ninguém pode gerenciar o que não pode medir.
Em outras palavras, o caminho para o sucesso é executar uma estratégia perfeitamente e ainda controlar como as atividades são realizadas. Essa máxima se aplica a todos os departamentos, mas é uma mensagem mais do que especial para as equipes de inovação. Mas parece que essas equipes ainda não entenderam a mensagem.
“Métricas são essenciais. Um quarto dos entrevistados não rastreia nenhuma métrica financeira; esse número cai, no entanto, à medida que as empresas passam para um estágio mais sofisticado de inovação.”
Outro dado que corrobora essa questão é que apenas 33% das empresas modelo estão rastreando a taxa interna de retorno do projeto. E, no geral, 85% das empresas estão rastreando o valor financeiro que a empresa está trazendo por meio de seus esforços inovadores, mas não conseguem vincular esse dinheiro a um projeto específico.
Por fim, uma dica interessante da KPMG. “Para equipes de inovação que esperam atingir grandes resultados, vale a pena considerar novos tipos de incentivos, incluindo recompensas.” Das empresas entrevistadas, 51,2% oferecem algum tipo de incentivo, como folga para trabalhar em um projeto, financiamento ou participação acionária, enquanto 34,3% ainda não adotam essas práticas.
Conclusão
Ao final do post, é possível resumir as recomendações da KPMG. É preciso ter uma estratégia de inovação clara, dar suporte e financiamento adequados para esses projetos e também mensurar seus esforços de inovação adequadamente. E isso sem esquecer de ter as pessoas certas. Cerca de 41% dos entrevistados estão tendo dificuldade em recrutar talentos com as qualificações desejadas.
Mas neste ambiente volátil e instável, o maior desafio é provavelmente manter a atividade de inovação e o investimento estável para que produza resultados. A presidente e CEO da KPMG, Lynne Doughtie, assina uma carta no final do artigo reforçando a importância de completar um ciclo de inovação.
“Vivemos em um mundo onde ter uma agenda de inovação é fundamental para o sucesso. Mas a inovação deve ser mais do que um clichê. Para ter significado e ser traduzida em ação, ela precisa de estrutura e processo. Inovação é sobre antecipar o futuro. Como líderes em inovação, estamos examinando o horizonte em busca de tendências e ideias que moldarão o mundo de amanhã. De tempos em tempos, porém, é útil olhar para dentro, avaliar onde estivemos e o que aprendemos em nossa jornada de inovação”, finaliza o executivo.
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Leia também o estudo KPMG Benchmarking Innovation Impact 2020.